20 de jul de 2009

A HISTÓRIA DE MANGARATIBA

História de Mangaratiba Ilha de Itacuruçá Muriqui Praia Grande Conceição de Jacareí Serra do Piloto

A ocupação das terras hoje compreendida pelo Município de Mangaratiba teve origem ainda no século XVI, por ocasião das desapropriações das Capitanias Hereditárias. Essas terras pertenciam então à Capitania de Santo Amaro, cujo donatário Pero Lopes de Souza, pouco interessou – se por seus domínios.O inicio do povoamento de forma mais sistemática aconteceu anos mais tarde, por volta de 1620, quando Martim de Sá novo donatário, mandou trazer índios Tupiniquins já colonizados de Porto Seguro e estabeleceu, sob a tutela dos Jesuítas, aldeamentos, primeiro na Ilha de Marambaia e, depois, no continente na praia da Ingaíba.

Por causa dos fortes temporais que assolavam a Ingaíba e visando melhores condições físicas e topográficas, a povoação foi transferida em 1688 para o local onde hoje localiza –se o Núcleo Urbano de Mangaratiba. Logo ergueu – se uma capela dedicada à N. Srª da Guia, que existiu até 1785 quando iniciaram –se as obras para a construção de uma igreja no mesmo local. As obras prosseguiram durante dez anos e a igreja foi concluída em 1795.

Apesar das constantes lutas travadas entre os índios Tamoios, nativos da região, e os colonizadores, o núcleo de Mangaratiba prosperou, tendo se tornado freguesia em 16 de janeiro 1764. Porém, a despeito do crescimento do povoado, Mangaratiba só conquistou sua independência administrativa em 11 novembro de 1831 quando foi elevada a categoria de Vila com a denominação de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba. Até esta data Mangaratiba pertencia ao Município de Itaguaí ao qual estava subordinada desde 05 de junho de 1818, quando foi criado o Município. Anteriormente Mangaratiba estava vinculado ao Município de Angra dos Reis.Durante dez anos e a igreja foi concluída em 1795.

Com o desenvolvimento da economia cafeeira, principalmente na região do médio Vale do Paraíba, Mangaratiba ganhou um crescente movimento cumprindo seu papel de porto escoador da produção de café. Outra atividade importante, que proporcionou o enriquecimento da região, foi o tráfico de escravos. Dos pontos de desembarque do Sahy e da Marambaia eles eram levados para o grande mercado do Rio de Janeiro e para os outros centros urbanos do interior através da íngreme trilha que levava ao Sertão depois de ultrapassar a Serra do Mar. O tráfico de escravos e ouro atraíam piratas das mais diversas procedências tornando a vida da pequena localidade bastante agitada e motivando a construção de diversas fortificações como a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia, hoje inexistente.

Do interior de São Paulo e Minas Gerais, afluíram para o seu porto os gêneros a serem exportados, basicamente o café, trazidos nos lombos dos burros guiados pelos tropeiros das mais afastadas regiões da serra acima. Ao retornarem levavam as mercadorias, geralmente artigos de luxo, proveniente do Rio de Janeiro ou do exterior.A produção de café intensificou –se tanto que as trilhas que desciam a serra eram insuficientes para escoar a produção. Foi necessária a abertura de uma estrada mais larga e com melhores condições de circulação que ligava Mangaratiba a São João do Príncipe (depois São João Marcos). A estrada foi inaugurada em 1857 pelo Imperador D. Pedro II, ficando conhecida posteriormente como “Estrada Imperial”. No dizer de A. de Taunay foi a primeira estrada de rodagem construída no Brasil ““.

Mangaratiba era um dos portos escoadores da produção de café do Vale da Paraíba, atendendo a demanda de São João Marcos e adjacências.

Angra dos Reis e Mambucaba escoavam o café produzido na região de Bananal, Areias e Paraty, antes escoador do ouro das Minas Gerais, agora escoava o café proveniente da região de Guaratinguetá e Cunha.

A construção da via entre Mangaratiba e a Serra trouxe um maior desenvolvimento para a região, bem como consolidou uma aristocracia local que empreendeu a construção de diversos edifícios como suas residências urbanas, igrejas, um teatro, armazéns e trapiches.
Na época do maior progresso de Mangaratiba algumas personalidades mereceram maior atenção por parte dos historiadores. O primeiro foi o Comendador Joaquim José de Souza Breves, abastado fazendeiro, dono dos trapiches do Sahy e da Marambaia, proprietário de mais de 6000 escravos e vinte fazendas, chegando a produzir mais de 1% da produção brasileira de café. Outra personalidade importante da história local foi o Tenente – Coronel Luiz Fernandes Monteiro, o Barão do Sahy, proprietário das fazendas Batatal e Praia Grande e de um rico solar no Largo da Matriz, hoje totalmente reformado e de outra casa assobrada na Rua Direita, atualmente Rua Cel. Moreira da Silva, que o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural denominou “Solar do Barão do Sahy.”

Porém, o período de riqueza e dinamismo durou pouco. O fim do período de expansão aconteceu pela conjugação de dois fatores. Primeiramente foi a conclusão em 1870 da Estrada de Ferro D.Pedro II, ligando Rio de Janeiro e São Paulo, que possibilitou o escoamento da produção de café do Vale do Paraíba diretamente para o Rio de Janeiro. Em segundo lugar a proibição do tráfico escravo e, posteriormente, a abolição da escravatura desorganizaram a economia da região baseada na exploração do latifúndio e fortemente dependente da mão de obra escrava.

A decadência foi tão grande que o Município de Mangaratiba foi extinto em 08 de maio de 1892, apesar de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em 17 de dezembro do mesmo ano. Os portos de Mangaratiba e do Sahy ficaram desertos e inúmeras edificações foram abandonadas, tais como os grandes solares, armazéns, o teatro, conforme atestam as ruínas hoje existentes no Saco de Cima e na Praia do Sahy. A estagnação econômica foi total, sendo Mangaratiba um exemplo de cidade nascida de uma rota comercial que não tinha bases produtivas próprias que permitissem uma autonomia. A atividade era apenas reflexo da produção agrícola existente na região serrana e pereceu diante do surgimento de novas alternativas produtivas e comerciais.
A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba persistiu até 1914 quando foi concluído o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, que integrou o Município no sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Posteriormente ocorreu um ligeiro progresso econômico propiciado pela exportação de bananas e pela construção de residências de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas em alguns núcleos urbanos.
Na década de quarenta deste século ocorreram os grandes loteamentos na orla marítima como Muriqui, Praia do Saco, Itacuruçá e outros e em 1942 foi aprovado o primeiro código de obras para o Município.

A construção da rodovia Rio – Santos, parte da BR – 101, nos anos setenta, trouxe uma nova fase para o Município, com uma grande valorização do solo urbano, bem como um incremento da construção de residências de fins de semana e férias. A nova estrada trouxe ainda diversas atividades ligadas ao turismo um processo de ocupação de áreas até então inacessíveis e desertas.

Antes de se mudar a Igreja de Itinga para o sitio de Itaguaí, em fins do ano 1729, continuou a de Mangaratiba na independência daquela, por ter Capelão privativo, como consta que fora, em 1725, o padre Fr. Mateus de.....Religioso Capucho, a quem sucederam outros, e o padre Francisco Alexandre Correia de Sá, com Provisão de 21 de fevereiro de 1758, e faculdade para administrar todos os Sacramentos, não só aos índios, mas aos moradores circunvizinhos do distrito. A vista deste provimento, e subsistindo a Capela da Guia com o caráter, e qualidade privativa de Curada, não pude alcançar o motivo, por que o Bispo D. Fr. Antônio do Desterro de novo a criou em cura pela Portaria de 24 de abril de 1760, sujeitando-a a Vara da Comarca da Ilha Grande. Podia ser por supor a capela, e a aldeia sob a administração dos Padres Jesuítas. Como quer que fosse, provendo então o mesmo Bispo a Capelania Curada em Fr. Luís Nogueira, da Ordem Carmelitana, no dia do mês e ano referido, declarou aos índios, que dos reditos da Aldeia seriam obrigados a pagar a côngrua do seu Capelão.

Erigida a Capela Curada em Igreja Paroquial amovível pela Provisão de 16 de janeiro de 1764 (como aconteceu a outras semelhantes das Aldeias, por Ordem Régia de 1758) teve por 1º Pároco o Padre Francisco das Chagas Suzano, a quem sucederam três mais, até que dignando-se S. Majestade (então Príncipe Regente) elevar a Paróquia à classe das perpétuas, requereu o Padre Eugênio Martins da Cunha Zimblão a apresentação dela em 23 de julho de 1808, e se confirmou a 26 de agosto seguinte. (Antes disso) Empenho afetuosamente o Padre Salvador Francisco da Nóbrega, Pároco Encomendado, em aperfeiçoar o templo, levando – o a maior altura, e fazendo as obras necessárias da Sacristia, deu princípio a esses trabalhos no mês de julho de 1785, e os continuou até o mês de setembro de 1795, em que deixou de paroquiar, tendo apenas concluindo a construção das paredes, e assentado o madeiramento, por lhe faltar o socorro moedal, com que pudesse suprir tanta despesa, e não dentre os paroquianos, assas indigentes, um só mais remediado, que o ajudasse com qualquer esmola.

Nesse estado achou o Padre Joaquim da Silva Feijó toda obra, quando no ano 1795 sucedeu a Nóbrega, e como por seu gênio naturalmente ativo, caprichoso, e inclinado a manter com gravidade, decência, e muito asseio a casa do Senhor, não sofreu que ela se conservasse imperfeita, e sem adorno, diligenciou ultimar a obra, à custa própria, como fez, deixando-a muito decorosa, e bem ornada. Tem esta igreja o comprimento de 56 palmos, desde a porta principal, até o arco cruzeiro, e largura de 30 e ½; dali, ao fundo da Capela – mor, o comprimento de 40 palmos, e largura de 23. Três altares vestem as suas paredes, por levantar os dois no Corpo o mesmo Vigário Feijó, a cuja diligência se conserva anualmente o sacrário com o SS. Sacramento, colocado no altar – maior.

Das terras pertencentes à Aldeia não transgredia a jurisdição paroquial, até o ano 1802, em que o Bispo D. José Joaquim Justiniano, dividindo a Paróquia de N.S. da Conceição da Ilha Grande por Edital de 1 de fevereiro, acrescentou o seu termo com 6 léguas de extensão desde a ponta de Crubetiba, ou Tacorobitiba, e Fazenda de Manuel Fernandes Castro, por onde ficou balizando com aquela Matriz, até o rio Itinguçú divisor dos limites com a freguesia de S. Francisco Xavier de Itaguaí, por Costa de Angra em linha reta do Sul para o Norte, compreendendo as Ilhas Jaguanum, Guaíba, Madeira, e outras, e o terreno da Marambaia, pelo fundo, na mesma direção da costa, finaliza com as Freguesias de S. Francisco Xavier, e de S. João Marcos. Contando antes com 260 paroquianos índios adultos, ficou depois com 3.238 a 3.600 almas de todas as classes sujeitas a sacramentos, em 451 fogos, como constava no ano 1820.

Em conseqüência da divisão referida se agregaram a esta Paróquia as Capelas seguintes, que subsistiam no antigo distrito da Igreja Matriz da Ilha Grande. 1º de S. Ana em Itacuruçá. Levantada em tempo anterior ao ano 1698, como descreve o assento do falecido Manuel da Costa Silva (...) 2º de N.S. das Dores em Marambaia, fundada por Francisco José dos Santos com Provisão de 26 de março de 1760... Que distando da Matriz antiga (da Ilha Grande) muitas léguas de mar, se alonga da nova ( de Mangaratiba) mais de 3 a 4.As produções rurais deste território são da mesma classe, que as da Ilha Grande, e com o acréscimo de limites conta algumas fábricas de açúcar, e de aguardente, desmembradas daquele distrito. No termo novo tem portos suficientes para conduzir os efeitos das lavouras, e vários rios, que dimanados de alturas montuosas fertilizam as terras, por onde passam, até se despejarem no mar de Angra, dão voga de canoa.

Compunha-se a aldeia dos índios (situada à foz do mar do Saco, numa planície de curta extensão, e circundada de montes) de 70 casas térreas, feitas com paredes gradadas de madeira delgada, e cobertas de barro sob teto de palha, à exceção de 5, defendidas por telhas vã, mas arruadas todas com algum jeito, que formoseando o lugar, inculcavam o sistema de política de seus habitantes, hoje porém, que à proporção do comércio avultado tem crescido do povo, depois da nova divisão dos limites paroquiais, aparece à aldeia mais famosa, contando maior número de negociantes, e de edifícios assobradados cuja construção é feita com melhor gosto, e diferente asseio. A cargo de um índio da mesma raça, munido com patente de Capitão – Mor, está o governo dessa República, composta de homens pouco amigos de trabalhar em lavoura, e mais jeitosos para o exercício do remo, e do falquejo, em que mostram notável aptidão, donde, procede, que enquanto as mulheres se podem empregar na cultura escassa das terras, plantando, e colhendo alguns gêneros, como a mandioca, arroz e certos legumes para entreter o sutento em curtos dias do ano, eles não cogitam de precisões, nem procuram os meios de utilizar as suas famílias, como pais, contentando – se apenas com a pesca do peixe, do camarão (de comprimento e grossura notável, como não aparece em algum outro lugar), e do marisco, para fartar a fome, e do tubarão, para lhe extrair o azeite necessário às luzes noturnas. São esses indivíduos pouco fiéis nos seus tratos, orgulhosos, e assaz ingratos e benefícios que de todo desconhecem.

“Mangaratiba, ainda na comarca da Ilha Grande, não conta mais de 60 míseras choças de barro e madeira, edificada num quadrilátero de 200 passos de comprimento, em redor de bonita Igreja”.
A invasão cafeeira no Estado do Rio de Janeiro foi à razão direta da construção de muitas das vias de escoamento em direção aos portos fluminenses, no século passado. Existiam então dois núcleos importantíssimos: o de São João Marcos ( na época denominada São João do Príncipe) e Resende e o do norte, do qual decorriam as grandes lavouras de Vassouras, Valença e Paraíba do Sul. Mais tarde, se destacaria também a zona oriental da capitania, com o centro produtor em Cantagalo.O rei do café no Brasil Imperial veio a ser o Comendador Joaquim José de Souza Breves, que em 1860 colheu cerca de 205.000 arrobas de suas enormes e inúmeras fazendas calculadas em vinte, distribuídas por São João Marcos, Pirai e Resende, quase 1,5% da safra de todo o pais, segundo Taunay.

Tal situação exigia uma via de escoamento em boas condições de tráfego e o local escolhido foi o trecho entre o porto de Mangaratiba e São João Marcos. Segundo a Lei nº 537 de 1850, o Governo da Província autorizou a conclusão da estrada, que já existia em forma rudimentar, a ser executada por Bernadino José de Almeida. Porém o compromisso não foi cumprido e em 1855, foi constituída a Companhia Industrial da Estrada de Mangaratiba, organizada pelo Desembargador Joaquim José Pacheco, juntamente com o Conselheiro Antônio Barbosa. Entre seus principais acionistas se destacava o Tesouro Fluminense, com 1.500 ações, Barroso e Irmãos com 650, o Comendador Breves com 400, assim como os Morais. O capital na época era de 2.400 contos de réis. Existem discrepâncias sobre o fato desta estrada ter sido a primeira de rodagem digna deste nome no Brasil. Porém já existiam as estradas Rio – Petrópolis e outra ligando o Rio à Bahia. Talvez fosse a 1ª construída com tanto esmero e também a primeira construída e explorada pela iniciativa privada, embora com ajuda governamental. Custaram na época 1.999 contos, sendo cada trabalhador pago a 800 réis por dia. Foi retificada a partir do antigo caminho existente pelo engenheiro E.B. Webb, inglês contratados pelo Barão de Mauá.
Seu movimento diário era estimado em 70 caleças, o que denota grande troca comercial e social entre as cidades além das inúmeras tropas que cruzaram, já que São João Marcos e Rio Claro eram elos de ligação com todo o Vale do Paraíba e o Norte de Minas.

Nela foram construídas obras de arte, tais como a da Ponte Bela, que custou 300 contos de réis e o Bebedouro, no lugar chamado Barreira, na serra, que cobrava pedágio para amortizar o custo da estrada e sua conservação. Deveria ir até Barra Mansa, mas esgotando – se os recursos iniciais, faliu a empresa construtora.Por ela transitaram 2 milhões de arrobas de café, dos quais 9 décimos de procedência fluminense. Foi portando 30 km da maior importância, tanto econômico, histórica e social.Quando as vias férreas começaram a ser construída, de meados para final do século passado, as estradas do estado foram sendo relegadas a segundo plano, ao mesmo tempo que localidades como o Porto das Caixas, Iguassú, Itaguaí e Mangaratiba viram esvaziar – se os seus vastos armazéns e trapiches. As fazendas e lavouras estabelecidas nas regiões circunvizinhas, perto dos portos, para não arcarem com o transporte demorado, também entrarem em decadência, agravada mais tarde, no século XX, em 1929, com a queda do café e finalmente, com o desaparecimento da cidade de São João Marcos, submersa a partir de 1939, sob as águas da represa de Ribeirão das Lajes.

Ruínas do Povoado do Saco
Histórico

As primeiras construções do povoado do Saco de Mangaratiba devem datar de 1830. Esta conclusão baseia – se num ofício de nº 6 da Câmara Municipal de Mangaratiba dirigido ao Presidente da Província, Paulino José Soares de Souza, denunciando o Comendador Joaquim de Souza Breves, cognominado “ O REI DO CAFÉ” , no Brasil, denúncia no sentido de que ele iria atentar contra a Fortaleza de N. S. da Guia, ou seja, o Forte da Guia, onde o juiz de paz havia recolhido presa uma embarcação chamada “União Feliz”, por ter – se empregado desde 1835, no “ilícito, imortal e desumano tráfico de Escravatura “como consta no ofício.

Neste documento já se falava da utilização de dezenas de homens no conserto e calçamento da Estrada da Serra que se dirigia justamente até o povoado do Saco, onde os “Breves” tinham seus armazéns de café. A assinatura do contrato com Bernadinho José de Almeida, para a conclusão de parte da estrada da Serra, se deu em 15 de setembro de 1850, e em 26 de fevereiro de 1855, foi assinado novo contrato com o Desembargador Joaquim José Pacheco, criando para tal uma companhia de sociedade anônima, para construir uma estrada de Mangaratiba a Barra Mansa, no trajeto de São João do Príncipe e Rio Claro.Pelo relatório do engenheiro E.B. Webb, engenheiro chefe, da estrada, já em 02 de maio de 1857, circulavam carroças em obstáculos e em 5 ou 6 idas estaria pronta a Ponte Bela permitindo o trânsito aos carros carregados de café de São João do Príncipe (São João Marcos) até o povoado do Saco de Mangaratiba.Verifica – se ainda através de ofício de 21 de fevereiro de 1834, que a Câmara propôs em 24 de setembro de 1833, que o Comendador Joaquim de Souza Breves desse continuação à estrada que estava fazendo, até a estrada da Vila de Mangaratiba.

Nos anais da Câmara, existe um documento que denuncia um dos vereadores, o Vereador “Passou”, José Eloy da Silva Passos, por ter faltado a uma sessão, pois estava convalescendo de um tumor nas nádegas, e no entanto foi visto a cavalo indo ao Povoado do Saco. Algumas das Ruínas do Povoado do Saco, são de armazém de café, como as do armazém de café que pertencia à Antunes e Cia e que encerrou suas atividades em 18 de janeiro de 1865.

Existia no povoado uma única Agência de Correios que foi criada para atender a importância comercial e comodidade de seus habitantes. A reivindicação foi encaminhada ao Ministro e Secretário de Estado dos negócios do Império, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade Machado. A agência foi criada em 12 de outubro de 1840 e ocupou o cargo de Agente Antônio Coelho Netto.Encontra – se no local as Ruínas de um teatro que, como se constatou, nele representou João Caetano, por volta de 1839.

Era no povoamento do Saco onde ficavam os escravos que o Comendador “Breves” levava através de um caminho chamado “Conguinho” que a Câmara mandou inutilizar. Dizia a Câmara, uma de suas atas, que o Saco era um grande empório do comércio da carne humana lugar de agitações contra as autoridades legais da Vila. Vila essa, de Mangaratiba, onde vinte pessoas reclamavam contra a destruição do caminho.

O povoado ficava às margens do Rio do Saco por onde se fazia o embarque e desembarque de todos os gêneros necessários para aquela povoação. Por ele se exportava súbito número de arrobas de café como se afirma em linguagem da época, nos anais da Câmara.A comprovação da existência do teatro do Povoado do Saco pode ser constatada nos autos do inventário de José Eloy da Silva Passos, que faleceu em 01 de setembro de 1848, como se verificou no Cartório do 1º ofício no Maço 21. José Eloy da Silva Passos, que era o encarregado da casa de negócio de seu pai, comunicou ao delegado de policia na época que tinha ido ao Teatro no Povoado do Saco e quando voltou encontrou sua casa de negócios arrobada. Era o mesmo teatro onde João Caetano vinha representar para a nata da aristocracia rural de Mangaratiba (Patrimônio Histórico Estadual – Tombamento: 16/04/79 – INEPAC)

Pomar da Casa Branca

Histórico da propriedade:
O Solar da Casa Branca tem sua história ligada à fase do café, assim como as Ruínas que ficam próximas (Ruínas do Saco de Cima) e Estrada Imperial que fica em frente. Todo o local vivia do café e para o café, sendo bastante provável que um dos trapiches hoje em ruínas fosse de propriedade do mesmo dono da fazenda, que assim via simplificado o problema do transporte.No local onde é um jardim gramado há vestígio de um antigo terreirão de secagem de café, o que não torna porém certa a presença de uma grande produção em local tão perto do comércio e em terreno plano, diverso daquelas meias – encostas de clima temperado em que o café se expandia com notável rapidez.- Histórico - Instituto Estadual de Patrimônio Histórico.

Casa do Sahy

Histórico
Acerca dessa casa, localizada na praia do Saí (antiga grafia “Sahy” quer dizem em tupi “olhos miúdos, o que é ágil”, denominação de simio brasileiro, corruptela de “Ça-i”) sabe-se tudo por tradição oral, pois foi mercado ilegal de escravos que chegavam para a ilha de Marambaia onde permaneciam cerca de um ano para engorda e aclimatação. O mandante deste contrabando era o Comendador Breves, proprietário de inúmeras fazendas de café, e que via agravar-se o problema da mão – de – obra escrava, essencial à sua produção. Outros senhores também recorriam ao mercado, e segundo a tradição, o desembarque dos negros se fazia mediante o acendimento de fogueiras em local previamente combinado.Para situar melhor a necessidade de mão – de – obra e o contrabando crescente, recorremos aos tratados entre o Brasil e a Inglaterra, no século XIX.
A pressão inglesa começou em 1810, com o Tratado de Aliança e Amizade, em que ficou estabelecida a limitação do tráfico negreiro às colônias portuguesas na África, seguido por outros acordos, como a imposição da busca em navios suspeitos de tráfico, em alto mar, assim como a estipulação de um prazo para o encerramento do tráfico. A Inglaterra temia a concorrência da mão – de – obra mais barata do que a das suas colônias nas Antilhas e pressionava até mesmo o reconhecimento da Independência do Brasil, em troca de tais acordos. Esta situação prolongou – se por muitos anos, provocando a reação de descontentamento dos proprietários rurais, sobretudo dos que possuíam lavoura cafeeira, que se expandia pelo Vale do Paraíba e que necessitavam de um aumento de escravos e não de retratação. À medida que a pressão inglesa aumentava, crescia igualmente o tráfico ilegal, pois nos tratados, o tráfico já estava completamente vetado. Pela metade do século, a massa de escravos chegava à casa dos 2 milhões. A partir desta época, o preço de um escravo, que custava em média 400 mil réis, passa a ser de quase 1.000 réis em 1855 e cresce lentamente até 1.100, 1.200 no final de 1800, antes da Abolição.

As leis do Ventre Livre, a dos sexagenários, foram apenas o desdobramento de uma crise que há muito se arrastava.O Comendador Breves, possuía, pelas estimativas da época, cerca de seis mil escravos em suas fazendas. Para ele, como para os outros proprietários, a Abolição seria um desastre e não se preparavam para ela, preferindo recorrer ao contrabando. Voltamos então à finalidade do casarão do Saí, que possui na sua parte traseira remanescentes de senzalas. Sua localização, inserido numa fazenda limitada pela praia e pelo sertão, favorecia o comércio ilegal do qual fala o povo até os dias de hoje, vindo o conhecimento pela tradição oral.

DISTRITO:
CONCEIÇÃO DE JACAREÍ

Histórico
Etimologia: Jacarei originário de Jacarei ( Já + caré – y)Tupi Guarani – Rio de JacaréO viajante austríaco João Emanuel Pohl, que visitou Mangaratiba entre os anos 1817 a 1821 nas narrações de suas viagens no livro “ Viagem no Interior do Brasil” conta que iniciou sua caminhada por jacareí ao chegar a Mangaratiba chegando no engenho da Praia, onde lhe foi dada pousada na casa de Manuel de Souza Matos que segundo o cientista o recebeu com muita hospitalidade.O viajante ficou alojado num alpendre e dormiu num bote – construído. O cronista fala do engenho de açúcar e da bela residência da Praia da figueira que ficava entre duas florestas virgens, numa das quais havia uma linda cachoeira. A mesma paisagem que muitos anos depois mereceria uma página e um poema antológico do grande poeta Manuel Bandeira.

O Curato de Nossa Senhora a Conceição de Jacareí
O Decreto nº 897, de 16 de outubro de 1856 criou, no Município de Mangaratiba, um curato civil e eclesiástico, sob a invocação de N.S. da Conceição de Jacareí, com os limites que o presidente da Província designasse, depois de ouvir a autoridade eclesiástica do bispado.Era presidente da Província o Sr. Luiz Antônio Barbosa.

A Freguesia
Em 21 de janeiro de 1859, o curato de N.S. da Conceição de Jacareí foi elevado pelo Decreto nº 1099 à categoria de Freguesia, com o mesmo nome.Os limites da Freguesia principiavam pelo lado Sul na ponta da Gambela, corria pelo espigão do morro do mesmo nome, e pelo lado Norte, pelo Rio Praia Grande.

Limites do Distrito de Conceição de Jacareí, em 1856
“O Vice Presidente da Província do Rio de Janeiro em execução a Lei Provincial nº 897 de 16 de outubro de 1856 tendo ouvido do Excelentíssimo Bispo Diocesano e a Câmara Municipal de Mangaratiba, delibera o seguinte:Os limites do Curato de N.S. da Conceição de Jacareí, serão ao norte o rio denominado Praia Grande que divide o curato da freguesia da Vila de Mangaratiba, e pelo Sul os Municípios de Angra dos Reis e Mangaratiba – Palácio da Presidência aos 18 de julho de 1857.João Manuel Ferreira da SilvaConfere Jean Franco Cardoso.

ITACURUÇÁ

Histórico
Foi fundada pelos Jesuítas, que quando chegaram ao local entraram índios Tamoio que eram muito selvagens. Trouxeram, então os índios tupiniquins para tentar pacificá – los. Quando a região foi fundada , os Jesuítas com os índios construíram uma cruz de pedra localizada em frente à Igreja Nossa Senhora de Santana. A Igreja também foi fundada pelos Jesuítas, a aproximadamente 150 anos (1840). Ita = Pedra Curuçá = Cruz

O desenvolvimento de Itacuruçá, dá – se com a chegada do Major José Caetano Alves de Oliveira, que era proprietário em Valença e muda–se para fazenda Santana, em Itacuruçá com toda sua família. A fazenda média cerca de duzentos e oitenta alqueires fluminenses, abrangendo a pequena Via de Itacuruçá – com exceção das áreas pertencentes a Cúria Católica.O Major José Caetano, tentou vários tipos de cultura, dando afinal preferência à plantação de bananas e vindo a ser, em pouco tempo, um dos maiores produtores da região.

Durante a I Guerra, o Major foi procurado por uma firma suíço – alemã, que comprou parte de suas terras, para a construção de um porto para embarque de minério de ferro. Essa firma negociava também com o Governo Federal a construção de um ramal ferroviário de Minas a Itacuruçá, a fim de aliviar o embarque de minério pelo porto do Rio de Janeiro.Com o ramal ferroviário Santa – Cruz Mangaratiba, Itacuruçá passou a ser um local de veraneio dos mais conhecidos e freqüentados por famílias do Rio de Janeiro, que passavam todo o verão.Foram construídas muitas casas, e o fluxo de veranistas aumentou.Em 1916, o Major convocou seu filhos e genros para trabalharem em Itacuruçá e contribuir para seu progresso. Resolveu desmembrar cerca de 100 alqueires da Fazenda Santana.Hoje, várias ruas e vilas de Itacuruçá recebem os nomes dos familiares do Major José Caetano, uma vez que viveram e trabalharam muito para o progresso local e contribuíram com seu desenvolvimento histórico.

MURIQUI
Distrito de Muriqui – Vale

Histórico
O nome Muriqui deve a existência em seu território, no passado, de boa quantidade de macacos monocarvoeiros, também conhecidos por Muriquis, originando por este motivo, o nome do distrito que é o mais jovem do Município de Mangaratiba. Foi através da Resolução nº 5 de 23/05/49, da Câmara Municipal de Mangaratiba, que em 1º de dezembro de 1949, criou – se o distrito de Muriqui, pelo Decreto Legislativo Estadual nº 19, mas acredita – se, embora oficiosamente, que o povoado existe a mais de 80 anos.

“Lenda de Muriqui”
Entre agosto e setembro existe um vento forte que os pioneiros chamaram de Vieira, porque segundo a lenda, quando este morador de Muriqui, pouco antes de morrer, pediu para ser enterrado nas belas montanhas, e quando morreu os amigos levaram o corpo dentro do caixão para enterrá – lo sem ser nas montanhas, quando iam colocá – lo na sepultura começou a ventar muito forte, e, os amigos com medo, deixando o caixão e foram para suas casas. No dia seguinte, ao parar o vento voltaram para acabar o enterro, e lá chegando encontraram o caixão vazio. A partir daquele dia todos acreditaram que o vento havia levado o corpo de “VIEIRA” para as montanhas e como não foi enterrado, volta todos os anos para visitar Muriqui, local que ele muito gostava.

Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Mangaratiba