14/05/2012

BREVE ! DOCIÊ SOBRE O SURTO DE HEPATITE EM MANGARATIBA.

AGUARDANDO A CONCLUSÃO DOS TRABALHOS NO MUNICÍPIO.

foto retirada da internet (jornal Extra).

28/01/2012

DENÚNCIA DE PROVÁVEL DESMATAMENTO EM MANGARATIBA

CRIME AMBIENTAL NA SERRA DO PILOTO POR PROVAVÉL DESMATAMENTO NA REGIÃO DO RUBIÃO EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA.


 

É muito importante preservarmos o pouco que resta de Mata Atlântica na Serra do Piloto, pois a Mata Atlântica, suas florestas, têm um papel vital para a manutenção dos processos hidrológicos que garantem a qualidade e volume dos cursos d'água. Além disso, as atividades humanas desenvolvidas dentro do bioma também dependem da água para a manutenção da agricultura, da pesca, da indústria, do comércio, do turismo, da geração de energia, das atividades recreativas e de saneamento.

E devemos lembrar que a água que sai de nossas torneiras vem direto do Rio do Saco e também do Córrego do Rubião, que passa a apenas uns 400 mts do possível desmatamento e por esse motivo coloca em risco o abastecimento futuro da população da Praia do Saco e de Mangaratiba no 1º distrito.

23/12/2011

O COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO GUANDU PRESTIGIA O BLOG SOS PRAIA DO SACO.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Guandu, publicou em seu boletin informativo mensal, um Clipping especial sobre a matéria publicada em nosso Blog, que fala da importância da presença dos municípios no Comitê e da nossa presença na reunião ordinária do Plenário do Comitê, onde denunciamos a morte anunciada do Rio do Saco e a contaminação de sua bacia.







08/12/2011

MANGARATIBA IGNORA O COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO GUANDU

Hoje, eu e o Fabiano estivemos no Comitê da Bacia Hidrográficas dos Rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim, onde desde 2002 (a data de sua criação), estão presentes representantes dos municípios de Rio Claro, Piraí, Itaguaí, Seropédica, Rio de Janeiro, Queimados, Japeri, Paracambi, Mendes, Eng. Paulo de Frontin, Barra do Piraí, Vassouras, Miguel Perreira, MENOS MANGARATIBA...que apesar de ter sido convidada pelo comitê por estar incluída na bacia hidrográfica, ainda não participa do mesmo.


A nossa presença no Comitê foi exclusivamente para apresentar e denunciar o grande problema da degradação de nossa bacia hidrográfica, que coloca em risco a água de toda a população do 1º distrito de Mangaratiba, que compreende: a Praia do Saco, Nova Mangaratiba, Acampamento, El Ranchito, Ibicuí, Moraes, Parque Bela Vista, Morro Santo Antônio, Toca da Velha, Sítio Ribeiro, Serra do Piloto e Rubião.
A nossa representação foi feita como sociedade civil, já que os orgãos de todos os governos  que Mangaratiba já teve nunca estiveram interessados em participar deste comitê ou deram se quer a devida atenção.


O COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO GUANDU

Lei estadual nº 3.239, de 2 de agosto de 1999
Institui a política Estadual de Recursos Hídricos e cria o sistema Estadual de gerenciamento de recursos Hídricos

Decreto nº 31.178, de 3 de abril de 2002
Cria o Comitê da Bacia Hidrográfica do Guandu que compreende a Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, incluidas as nascentes do Rio Ribeirão das Lages, as águas desviadas do Rio Paraíba do Sul e do Piraí, os afluentes ao Ribeirão das lages, ao Rio Guandu e ao Canal de São Francisco, até a sua desembocadura na Baía de Sepetiba, bem como as Bacias Hidrográficas dos Rios da Guarda e Guarda Mirim, e demais bacias litorâneas da RH II.


O Comitê, órgão colegiado com atribuições normativas, consultivas e deliberativas, intituído pelo Decreto 31.178, de 3 de abril de 2002, com área de atuação ampliada através da Resolução nº 18, de 8 de novembro de 2006 (CERHI), reúne 30 membros titulares, sendo 12 representantes dos usuários da água, 9 da sociedade civil organizada e 9 de órgãos de governo - sendo 4 do executivo municipal, 4 do estadual e 1 do federal. Este colegiado possui direito a voto e forma o '' parlamento das águas'', que é o fórum de decisão  no âmbito das bacias integrantes do Comitê. Além de fomentar a gestão integrada e participativa dos recursos hídricos na ragião, tem atribuições de:

* Promover o debate das questões relacionadas aos recursos hídricos da bacia;

* Articular a atuação das entidades que trabalham com este tema; 

* Arbitrar, em primeira instância, os conflitos do Plano de Recursos Hídricos da Bacia;

* Estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados;

* Estabelecer critérios e prometer o rateio de custeio da obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo.



O Comitê Guandu, com o patrocínio da Agência Nacional de Águas, elaborou em 2006 o Plano Estratégico de Recursos Hídricos (PERH-Guandu), priorizando 65 ações visando, por exemplo, o aumento da disponibilidade hídrica, a identificação de medidas mitigadoras para redução da carga de poluentes nos corpos d'água, em função das demandas atuais e projetadas, e a proposição de ações voltadas para implementação e consolidação da gestão de recurso hídricos na bacia. Uma das missões do Plano é orientar a aplicação dos recursos financeiros originados da cobrança pelo uso da água.

Para viabilizar as ações de gestão de saneamento na bacia, o Comitê Guandu, de acordo com a resolução nº 48, de 23/09/10, também aprovada pelo Conselho Estadual de Recursos Hidrícos (CERHI-RJ), aplica recursos financeiros adminisrados pelo fundo Estadual de Recursos Hidrícos (FUNDRHI), de R$ 16,75 milhões, sendo R$ 14,25 milhões em projetos básicos, e R$ 2,5 milhões na elaboração dos planos Municípais de Saneamento Básico (PMSB).

Até o final deste ano, a SEA, através do INEA, planeja concluir a formalização de convênios de cooperação técnica com os municípios de Itaguaí, Japeri, Mangaratiba, Paracambi, Queimados e Seropédica. Com os demais municípios (Eng. Paulo de Frontin, Bara do Piraí, Mendes, Miguel Pereira, Piraí, Rio Claro e Vassouras), o INEA prevê que os convênios se efetivem até meados de 2013, com recursos de R$ 1,5 milhão do fundo Estadual de Conservação Ambiental (FECAM).
Ou seja, Mangaratiba precisa destes convênios de cooperação técnica e de recursos para resolvermos o nosso problema com a nossa água. 

Então eu pergunto:
Se até o exato momento Mangaratiba não se interessou, vocês acham que em 2012, ano de eleições vai ter alguma mudança ? 

São por esses motivos que precisamos da colaboração de todos, vocês mesmos, que usam essa água, antes que seja tarde de mais.

23/11/2011

ALTO RISCO DE CONTAMINAÇÃO NA ÁGUA DE MANGARATIBA

          ATENÇÃO POPULAÇÃO DE MANGARATIBA
A água que desce pelas nossas torneiras para escovarmos os dentes, para fazer café, para pôr o feijão de molho, para matar a sede, para tomar banho, que já é de qualidade duvidosa e escassa nos períodos de feriados e festas, está para se tornar uma fonte de doenças as nossas famílias e aqueles que nos visitam.

O asfaltamento da estrada RJ 149, que liga Mangaratiba a Serra do Piloto (5º distrito) é considerada de extrema importância para a região, porém 7 km desta via, margeia o Rio do Saco acima da captação da CEDAE, sendo a principal fonte de água da população de Mangaratiba (1º distrito).

Três são os grandes problemas ignorados pelas autoridades competentes:

Primeiro
ESCOAMENTO DE RESÍDUOS DEPOSITADOS SOBRE O ASFALTO PARA A ÁGUA DO RIO
Com o aumento do fluxo de caminhões e automóveis na via, resultará na contaminação do rio com resíduos tóxicos oriundos do desgaste das pastilhas de freios, pneus, lubrificantes e da queima de combustíveis de todos os veículos que por ali passarem, trasportados pela chuva, diretamente para o rio.



As estradas têm sido reconhecidas como grandes fontes de metais pesados para o ambiente, sendo os veículos uma das principais fontes de metais pesados depositados nas ruas, causando contaminação nos solos, na vegetação dos acostamentos e nas águas receptoras.

- ah ! mais ali não passa tantos carros !
Você já se perguntou o porque o governo estadual asfaltou aquela estrada, se não mora tanta gente assim lá em cima ?
Para o governo estadual, a obra é fundamental para o desenvolvimento econômico e social dos moradores e turistas, tornando a via mais estruturada entre Mangaratiba e Rio Claro, facilitando assim também um acesso mais rápido a São Paulo. O projeto além de asfaltamento e dos reparos, prevê a construção de uma nova ponte para o tráfego de caminhões pesados.  

Bom ! Agora nos resta rezar para que não ocorra nenhum acidente com caminhão transportando qualquer tipo de produto químico, o que contaminaria instantaneamente a nossa água.




Segundo:
AUMENTO DO LANÇAMENTO DE ESGOTO NO RIO
 As rodovias favorecem ao crescimento de construções e moradias com o desenvolvimento urbano e econômico das regiões que atravessam, ocasionando o aumento do lançamento de esgoto sem tratamento diretamente nos rios, no nosso caso no Rio do Saco. O aumento também é devido ao crescimento populacional da serra do Piloto e das construções nas margens do Rio e de seus afluentes: Córrego do Rubião, Corrégo do Matutu, Córrego Bela Vista, Córrego Nsª de Aparecida, Córrego do Mato Dentro e Córrego do Aurelino.



Terceiro:
DEGRADAÇÃO DAS VEGETAÇÕES AS MARGENS DO RIO E NASCENTES
As matas ciliares são fundamentais para o equilíbrio ecológico,  oferecendo proteção para as águas e o solo, reduzindo o assoreamento dos rios e represas, impedindo o transporte de poluentes para a água. Formam além disso, corredores que contribuem para a conservação da biodiversidade; fornecem alimento e abrigo para a fauna; constituem barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças da agricultura e durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que tanto afetam o planeta.




AMIGOS: Busca-se aqui alertar as autoridades, as instituições e a sociedade como um todo, para que possam refletir que o progresso, a ocupação humana de forma desordenada e a interatividade social sem a preocupação com o meio ambiente, sem uma política consistente de avaliação sobre os ecossistemas, e principalmente, sobre a agressão gratuita ao Rio do Saco, pode se converter numa situação irreversível e danosa com implicações devastadoras sobre a vida de toda a população de Mangaratiba (especialmente o 1º distrito).

ÁGUA É VIDA, VIVA O RIO DO SACO



Carlos Ferreira: Morador de Mangaratiba, autor do blog, graduando em geografia e autor de projetos ambientais e da pesca espotiva amadora como desenvolvimento turístico.

Fabiano Teixeira: Morador de Mangaratiba, engenheiro sanitarista  e autor de projetos ligados ao meio ambiente.










03/09/2010

A MORTE DO RIO DO SACO

As prefeituras anteriores de Mangaratiba e a atual, sempre fizeram questão ressaltar as belezas da região, de insentivar o turismo, mas nunca se preocuparam com a poluição do rio do Saco. Este rio desemboca na Praia do saco que é um dos principais cartões postais do município. Nos últimos anos várias construções foram erguidas ao longo do trajeto do rio e muitos de seus esgotos são despejados no rio sem qualquer tipo de tratamento ou filtragem.


                         Várias ligações clandestinas despejam esgoto na tubulação de águas pluviais.


Essa aparentemente é mais uma ligação clandestina  na rua Frei Afonso em frente ao bar do Luis Paulo. 



 Na própria rua São Luiz, onde passa o valão, o esgoto é jogado a céu aberto por vários imóveis sem a menor preocupação, e esse valão desemboca no rio do saco.



           
O esgoto e jogado diretamente das descargas no valão.


Existem novas ruas ao longo da estrada São João Marcos em que a tubulação de esgoto esta ligado diretamente no rio, sem contar com o óleo e o sabão de vários lava jatos espalhados pela região. O pior é que a região esta em crescimento e dessa maneira não falta muito para que o Rio do saco vire um esgotão a céu aberto e a Praia do saco um local de proliferação de doenças, contaminando as pessoas que a freqüentam.



Vamos tomar como exemplo as praias de Vila Geni, Coroa Grande e Ilha da Madeira, no município de Itaguaí, antes balneários, agora poucos se arriscam a entrar em suas águas. Todas contaminadas por esgotos e por produtos químicos trazidos pelos rios que desembocam por ali.



Ainda dá tempo de salvar esse rio tão importante para a região, por isso estamos pedindo uma atitude em relação a ele.

Não é nossa intenção prejudicar qualquer morador ou difamar a prefeitura, e sim preservar o rio, a praia, a saúde e a  qualidade de vida das nossas famílias.


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20/07/2009

A HISTÓRIA DE MANGARATIBA

História de Mangaratiba Ilha de Itacuruçá Muriqui Praia Grande Conceição de Jacareí Serra do Piloto

A ocupação das terras hoje compreendida pelo Município de Mangaratiba teve origem ainda no século XVI, por ocasião das desapropriações das Capitanias Hereditárias. Essas terras pertenciam então à Capitania de Santo Amaro, cujo donatário Pero Lopes de Souza, pouco interessou – se por seus domínios.O inicio do povoamento de forma mais sistemática aconteceu anos mais tarde, por volta de 1620, quando Martim de Sá novo donatário, mandou trazer índios Tupiniquins já colonizados de Porto Seguro e estabeleceu, sob a tutela dos Jesuítas, aldeamentos, primeiro na Ilha de Marambaia e, depois, no continente na praia da Ingaíba.

Por causa dos fortes temporais que assolavam a Ingaíba e visando melhores condições físicas e topográficas, a povoação foi transferida em 1688 para o local onde hoje localiza –se o Núcleo Urbano de Mangaratiba. Logo ergueu – se uma capela dedicada à N. Srª da Guia, que existiu até 1785 quando iniciaram –se as obras para a construção de uma igreja no mesmo local. As obras prosseguiram durante dez anos e a igreja foi concluída em 1795.

Apesar das constantes lutas travadas entre os índios Tamoios, nativos da região, e os colonizadores, o núcleo de Mangaratiba prosperou, tendo se tornado freguesia em 16 de janeiro 1764. Porém, a despeito do crescimento do povoado, Mangaratiba só conquistou sua independência administrativa em 11 novembro de 1831 quando foi elevada a categoria de Vila com a denominação de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba. Até esta data Mangaratiba pertencia ao Município de Itaguaí ao qual estava subordinada desde 05 de junho de 1818, quando foi criado o Município. Anteriormente Mangaratiba estava vinculado ao Município de Angra dos Reis.Durante dez anos e a igreja foi concluída em 1795.

Com o desenvolvimento da economia cafeeira, principalmente na região do médio Vale do Paraíba, Mangaratiba ganhou um crescente movimento cumprindo seu papel de porto escoador da produção de café. Outra atividade importante, que proporcionou o enriquecimento da região, foi o tráfico de escravos. Dos pontos de desembarque do Sahy e da Marambaia eles eram levados para o grande mercado do Rio de Janeiro e para os outros centros urbanos do interior através da íngreme trilha que levava ao Sertão depois de ultrapassar a Serra do Mar. O tráfico de escravos e ouro atraíam piratas das mais diversas procedências tornando a vida da pequena localidade bastante agitada e motivando a construção de diversas fortificações como a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia, hoje inexistente.

Do interior de São Paulo e Minas Gerais, afluíram para o seu porto os gêneros a serem exportados, basicamente o café, trazidos nos lombos dos burros guiados pelos tropeiros das mais afastadas regiões da serra acima. Ao retornarem levavam as mercadorias, geralmente artigos de luxo, proveniente do Rio de Janeiro ou do exterior.A produção de café intensificou –se tanto que as trilhas que desciam a serra eram insuficientes para escoar a produção. Foi necessária a abertura de uma estrada mais larga e com melhores condições de circulação que ligava Mangaratiba a São João do Príncipe (depois São João Marcos). A estrada foi inaugurada em 1857 pelo Imperador D. Pedro II, ficando conhecida posteriormente como “Estrada Imperial”. No dizer de A. de Taunay foi a primeira estrada de rodagem construída no Brasil ““.

Mangaratiba era um dos portos escoadores da produção de café do Vale da Paraíba, atendendo a demanda de São João Marcos e adjacências.

Angra dos Reis e Mambucaba escoavam o café produzido na região de Bananal, Areias e Paraty, antes escoador do ouro das Minas Gerais, agora escoava o café proveniente da região de Guaratinguetá e Cunha.

A construção da via entre Mangaratiba e a Serra trouxe um maior desenvolvimento para a região, bem como consolidou uma aristocracia local que empreendeu a construção de diversos edifícios como suas residências urbanas, igrejas, um teatro, armazéns e trapiches.
Na época do maior progresso de Mangaratiba algumas personalidades mereceram maior atenção por parte dos historiadores. O primeiro foi o Comendador Joaquim José de Souza Breves, abastado fazendeiro, dono dos trapiches do Sahy e da Marambaia, proprietário de mais de 6000 escravos e vinte fazendas, chegando a produzir mais de 1% da produção brasileira de café. Outra personalidade importante da história local foi o Tenente – Coronel Luiz Fernandes Monteiro, o Barão do Sahy, proprietário das fazendas Batatal e Praia Grande e de um rico solar no Largo da Matriz, hoje totalmente reformado e de outra casa assobrada na Rua Direita, atualmente Rua Cel. Moreira da Silva, que o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural denominou “Solar do Barão do Sahy.”

Porém, o período de riqueza e dinamismo durou pouco. O fim do período de expansão aconteceu pela conjugação de dois fatores. Primeiramente foi a conclusão em 1870 da Estrada de Ferro D.Pedro II, ligando Rio de Janeiro e São Paulo, que possibilitou o escoamento da produção de café do Vale do Paraíba diretamente para o Rio de Janeiro. Em segundo lugar a proibição do tráfico escravo e, posteriormente, a abolição da escravatura desorganizaram a economia da região baseada na exploração do latifúndio e fortemente dependente da mão de obra escrava.

A decadência foi tão grande que o Município de Mangaratiba foi extinto em 08 de maio de 1892, apesar de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em 17 de dezembro do mesmo ano. Os portos de Mangaratiba e do Sahy ficaram desertos e inúmeras edificações foram abandonadas, tais como os grandes solares, armazéns, o teatro, conforme atestam as ruínas hoje existentes no Saco de Cima e na Praia do Sahy. A estagnação econômica foi total, sendo Mangaratiba um exemplo de cidade nascida de uma rota comercial que não tinha bases produtivas próprias que permitissem uma autonomia. A atividade era apenas reflexo da produção agrícola existente na região serrana e pereceu diante do surgimento de novas alternativas produtivas e comerciais.
A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba persistiu até 1914 quando foi concluído o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, que integrou o Município no sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Posteriormente ocorreu um ligeiro progresso econômico propiciado pela exportação de bananas e pela construção de residências de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas em alguns núcleos urbanos.
Na década de quarenta deste século ocorreram os grandes loteamentos na orla marítima como Muriqui, Praia do Saco, Itacuruçá e outros e em 1942 foi aprovado o primeiro código de obras para o Município.

A construção da rodovia Rio – Santos, parte da BR – 101, nos anos setenta, trouxe uma nova fase para o Município, com uma grande valorização do solo urbano, bem como um incremento da construção de residências de fins de semana e férias. A nova estrada trouxe ainda diversas atividades ligadas ao turismo um processo de ocupação de áreas até então inacessíveis e desertas.

Antes de se mudar a Igreja de Itinga para o sitio de Itaguaí, em fins do ano 1729, continuou a de Mangaratiba na independência daquela, por ter Capelão privativo, como consta que fora, em 1725, o padre Fr. Mateus de.....Religioso Capucho, a quem sucederam outros, e o padre Francisco Alexandre Correia de Sá, com Provisão de 21 de fevereiro de 1758, e faculdade para administrar todos os Sacramentos, não só aos índios, mas aos moradores circunvizinhos do distrito. A vista deste provimento, e subsistindo a Capela da Guia com o caráter, e qualidade privativa de Curada, não pude alcançar o motivo, por que o Bispo D. Fr. Antônio do Desterro de novo a criou em cura pela Portaria de 24 de abril de 1760, sujeitando-a a Vara da Comarca da Ilha Grande. Podia ser por supor a capela, e a aldeia sob a administração dos Padres Jesuítas. Como quer que fosse, provendo então o mesmo Bispo a Capelania Curada em Fr. Luís Nogueira, da Ordem Carmelitana, no dia do mês e ano referido, declarou aos índios, que dos reditos da Aldeia seriam obrigados a pagar a côngrua do seu Capelão.

Erigida a Capela Curada em Igreja Paroquial amovível pela Provisão de 16 de janeiro de 1764 (como aconteceu a outras semelhantes das Aldeias, por Ordem Régia de 1758) teve por 1º Pároco o Padre Francisco das Chagas Suzano, a quem sucederam três mais, até que dignando-se S. Majestade (então Príncipe Regente) elevar a Paróquia à classe das perpétuas, requereu o Padre Eugênio Martins da Cunha Zimblão a apresentação dela em 23 de julho de 1808, e se confirmou a 26 de agosto seguinte. (Antes disso) Empenho afetuosamente o Padre Salvador Francisco da Nóbrega, Pároco Encomendado, em aperfeiçoar o templo, levando – o a maior altura, e fazendo as obras necessárias da Sacristia, deu princípio a esses trabalhos no mês de julho de 1785, e os continuou até o mês de setembro de 1795, em que deixou de paroquiar, tendo apenas concluindo a construção das paredes, e assentado o madeiramento, por lhe faltar o socorro moedal, com que pudesse suprir tanta despesa, e não dentre os paroquianos, assas indigentes, um só mais remediado, que o ajudasse com qualquer esmola.

Nesse estado achou o Padre Joaquim da Silva Feijó toda obra, quando no ano 1795 sucedeu a Nóbrega, e como por seu gênio naturalmente ativo, caprichoso, e inclinado a manter com gravidade, decência, e muito asseio a casa do Senhor, não sofreu que ela se conservasse imperfeita, e sem adorno, diligenciou ultimar a obra, à custa própria, como fez, deixando-a muito decorosa, e bem ornada. Tem esta igreja o comprimento de 56 palmos, desde a porta principal, até o arco cruzeiro, e largura de 30 e ½; dali, ao fundo da Capela – mor, o comprimento de 40 palmos, e largura de 23. Três altares vestem as suas paredes, por levantar os dois no Corpo o mesmo Vigário Feijó, a cuja diligência se conserva anualmente o sacrário com o SS. Sacramento, colocado no altar – maior.

Das terras pertencentes à Aldeia não transgredia a jurisdição paroquial, até o ano 1802, em que o Bispo D. José Joaquim Justiniano, dividindo a Paróquia de N.S. da Conceição da Ilha Grande por Edital de 1 de fevereiro, acrescentou o seu termo com 6 léguas de extensão desde a ponta de Crubetiba, ou Tacorobitiba, e Fazenda de Manuel Fernandes Castro, por onde ficou balizando com aquela Matriz, até o rio Itinguçú divisor dos limites com a freguesia de S. Francisco Xavier de Itaguaí, por Costa de Angra em linha reta do Sul para o Norte, compreendendo as Ilhas Jaguanum, Guaíba, Madeira, e outras, e o terreno da Marambaia, pelo fundo, na mesma direção da costa, finaliza com as Freguesias de S. Francisco Xavier, e de S. João Marcos. Contando antes com 260 paroquianos índios adultos, ficou depois com 3.238 a 3.600 almas de todas as classes sujeitas a sacramentos, em 451 fogos, como constava no ano 1820.

Em conseqüência da divisão referida se agregaram a esta Paróquia as Capelas seguintes, que subsistiam no antigo distrito da Igreja Matriz da Ilha Grande. 1º de S. Ana em Itacuruçá. Levantada em tempo anterior ao ano 1698, como descreve o assento do falecido Manuel da Costa Silva (...) 2º de N.S. das Dores em Marambaia, fundada por Francisco José dos Santos com Provisão de 26 de março de 1760... Que distando da Matriz antiga (da Ilha Grande) muitas léguas de mar, se alonga da nova ( de Mangaratiba) mais de 3 a 4.As produções rurais deste território são da mesma classe, que as da Ilha Grande, e com o acréscimo de limites conta algumas fábricas de açúcar, e de aguardente, desmembradas daquele distrito. No termo novo tem portos suficientes para conduzir os efeitos das lavouras, e vários rios, que dimanados de alturas montuosas fertilizam as terras, por onde passam, até se despejarem no mar de Angra, dão voga de canoa.

Compunha-se a aldeia dos índios (situada à foz do mar do Saco, numa planície de curta extensão, e circundada de montes) de 70 casas térreas, feitas com paredes gradadas de madeira delgada, e cobertas de barro sob teto de palha, à exceção de 5, defendidas por telhas vã, mas arruadas todas com algum jeito, que formoseando o lugar, inculcavam o sistema de política de seus habitantes, hoje porém, que à proporção do comércio avultado tem crescido do povo, depois da nova divisão dos limites paroquiais, aparece à aldeia mais famosa, contando maior número de negociantes, e de edifícios assobradados cuja construção é feita com melhor gosto, e diferente asseio. A cargo de um índio da mesma raça, munido com patente de Capitão – Mor, está o governo dessa República, composta de homens pouco amigos de trabalhar em lavoura, e mais jeitosos para o exercício do remo, e do falquejo, em que mostram notável aptidão, donde, procede, que enquanto as mulheres se podem empregar na cultura escassa das terras, plantando, e colhendo alguns gêneros, como a mandioca, arroz e certos legumes para entreter o sutento em curtos dias do ano, eles não cogitam de precisões, nem procuram os meios de utilizar as suas famílias, como pais, contentando – se apenas com a pesca do peixe, do camarão (de comprimento e grossura notável, como não aparece em algum outro lugar), e do marisco, para fartar a fome, e do tubarão, para lhe extrair o azeite necessário às luzes noturnas. São esses indivíduos pouco fiéis nos seus tratos, orgulhosos, e assaz ingratos e benefícios que de todo desconhecem.

“Mangaratiba, ainda na comarca da Ilha Grande, não conta mais de 60 míseras choças de barro e madeira, edificada num quadrilátero de 200 passos de comprimento, em redor de bonita Igreja”.
A invasão cafeeira no Estado do Rio de Janeiro foi à razão direta da construção de muitas das vias de escoamento em direção aos portos fluminenses, no século passado. Existiam então dois núcleos importantíssimos: o de São João Marcos ( na época denominada São João do Príncipe) e Resende e o do norte, do qual decorriam as grandes lavouras de Vassouras, Valença e Paraíba do Sul. Mais tarde, se destacaria também a zona oriental da capitania, com o centro produtor em Cantagalo.O rei do café no Brasil Imperial veio a ser o Comendador Joaquim José de Souza Breves, que em 1860 colheu cerca de 205.000 arrobas de suas enormes e inúmeras fazendas calculadas em vinte, distribuídas por São João Marcos, Pirai e Resende, quase 1,5% da safra de todo o pais, segundo Taunay.

Tal situação exigia uma via de escoamento em boas condições de tráfego e o local escolhido foi o trecho entre o porto de Mangaratiba e São João Marcos. Segundo a Lei nº 537 de 1850, o Governo da Província autorizou a conclusão da estrada, que já existia em forma rudimentar, a ser executada por Bernadino José de Almeida. Porém o compromisso não foi cumprido e em 1855, foi constituída a Companhia Industrial da Estrada de Mangaratiba, organizada pelo Desembargador Joaquim José Pacheco, juntamente com o Conselheiro Antônio Barbosa. Entre seus principais acionistas se destacava o Tesouro Fluminense, com 1.500 ações, Barroso e Irmãos com 650, o Comendador Breves com 400, assim como os Morais. O capital na época era de 2.400 contos de réis. Existem discrepâncias sobre o fato desta estrada ter sido a primeira de rodagem digna deste nome no Brasil. Porém já existiam as estradas Rio – Petrópolis e outra ligando o Rio à Bahia. Talvez fosse a 1ª construída com tanto esmero e também a primeira construída e explorada pela iniciativa privada, embora com ajuda governamental. Custaram na época 1.999 contos, sendo cada trabalhador pago a 800 réis por dia. Foi retificada a partir do antigo caminho existente pelo engenheiro E.B. Webb, inglês contratados pelo Barão de Mauá.
Seu movimento diário era estimado em 70 caleças, o que denota grande troca comercial e social entre as cidades além das inúmeras tropas que cruzaram, já que São João Marcos e Rio Claro eram elos de ligação com todo o Vale do Paraíba e o Norte de Minas.

Nela foram construídas obras de arte, tais como a da Ponte Bela, que custou 300 contos de réis e o Bebedouro, no lugar chamado Barreira, na serra, que cobrava pedágio para amortizar o custo da estrada e sua conservação. Deveria ir até Barra Mansa, mas esgotando – se os recursos iniciais, faliu a empresa construtora.Por ela transitaram 2 milhões de arrobas de café, dos quais 9 décimos de procedência fluminense. Foi portando 30 km da maior importância, tanto econômico, histórica e social.Quando as vias férreas começaram a ser construída, de meados para final do século passado, as estradas do estado foram sendo relegadas a segundo plano, ao mesmo tempo que localidades como o Porto das Caixas, Iguassú, Itaguaí e Mangaratiba viram esvaziar – se os seus vastos armazéns e trapiches. As fazendas e lavouras estabelecidas nas regiões circunvizinhas, perto dos portos, para não arcarem com o transporte demorado, também entrarem em decadência, agravada mais tarde, no século XX, em 1929, com a queda do café e finalmente, com o desaparecimento da cidade de São João Marcos, submersa a partir de 1939, sob as águas da represa de Ribeirão das Lajes.

Ruínas do Povoado do Saco
Histórico

As primeiras construções do povoado do Saco de Mangaratiba devem datar de 1830. Esta conclusão baseia – se num ofício de nº 6 da Câmara Municipal de Mangaratiba dirigido ao Presidente da Província, Paulino José Soares de Souza, denunciando o Comendador Joaquim de Souza Breves, cognominado “ O REI DO CAFÉ” , no Brasil, denúncia no sentido de que ele iria atentar contra a Fortaleza de N. S. da Guia, ou seja, o Forte da Guia, onde o juiz de paz havia recolhido presa uma embarcação chamada “União Feliz”, por ter – se empregado desde 1835, no “ilícito, imortal e desumano tráfico de Escravatura “como consta no ofício.

Neste documento já se falava da utilização de dezenas de homens no conserto e calçamento da Estrada da Serra que se dirigia justamente até o povoado do Saco, onde os “Breves” tinham seus armazéns de café. A assinatura do contrato com Bernadinho José de Almeida, para a conclusão de parte da estrada da Serra, se deu em 15 de setembro de 1850, e em 26 de fevereiro de 1855, foi assinado novo contrato com o Desembargador Joaquim José Pacheco, criando para tal uma companhia de sociedade anônima, para construir uma estrada de Mangaratiba a Barra Mansa, no trajeto de São João do Príncipe e Rio Claro.Pelo relatório do engenheiro E.B. Webb, engenheiro chefe, da estrada, já em 02 de maio de 1857, circulavam carroças em obstáculos e em 5 ou 6 idas estaria pronta a Ponte Bela permitindo o trânsito aos carros carregados de café de São João do Príncipe (São João Marcos) até o povoado do Saco de Mangaratiba.Verifica – se ainda através de ofício de 21 de fevereiro de 1834, que a Câmara propôs em 24 de setembro de 1833, que o Comendador Joaquim de Souza Breves desse continuação à estrada que estava fazendo, até a estrada da Vila de Mangaratiba.

Nos anais da Câmara, existe um documento que denuncia um dos vereadores, o Vereador “Passou”, José Eloy da Silva Passos, por ter faltado a uma sessão, pois estava convalescendo de um tumor nas nádegas, e no entanto foi visto a cavalo indo ao Povoado do Saco. Algumas das Ruínas do Povoado do Saco, são de armazém de café, como as do armazém de café que pertencia à Antunes e Cia e que encerrou suas atividades em 18 de janeiro de 1865.

Existia no povoado uma única Agência de Correios que foi criada para atender a importância comercial e comodidade de seus habitantes. A reivindicação foi encaminhada ao Ministro e Secretário de Estado dos negócios do Império, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade Machado. A agência foi criada em 12 de outubro de 1840 e ocupou o cargo de Agente Antônio Coelho Netto.Encontra – se no local as Ruínas de um teatro que, como se constatou, nele representou João Caetano, por volta de 1839.

Era no povoamento do Saco onde ficavam os escravos que o Comendador “Breves” levava através de um caminho chamado “Conguinho” que a Câmara mandou inutilizar. Dizia a Câmara, uma de suas atas, que o Saco era um grande empório do comércio da carne humana lugar de agitações contra as autoridades legais da Vila. Vila essa, de Mangaratiba, onde vinte pessoas reclamavam contra a destruição do caminho.

O povoado ficava às margens do Rio do Saco por onde se fazia o embarque e desembarque de todos os gêneros necessários para aquela povoação. Por ele se exportava súbito número de arrobas de café como se afirma em linguagem da época, nos anais da Câmara.A comprovação da existência do teatro do Povoado do Saco pode ser constatada nos autos do inventário de José Eloy da Silva Passos, que faleceu em 01 de setembro de 1848, como se verificou no Cartório do 1º ofício no Maço 21. José Eloy da Silva Passos, que era o encarregado da casa de negócio de seu pai, comunicou ao delegado de policia na época que tinha ido ao Teatro no Povoado do Saco e quando voltou encontrou sua casa de negócios arrobada. Era o mesmo teatro onde João Caetano vinha representar para a nata da aristocracia rural de Mangaratiba (Patrimônio Histórico Estadual – Tombamento: 16/04/79 – INEPAC)

Pomar da Casa Branca

Histórico da propriedade:
O Solar da Casa Branca tem sua história ligada à fase do café, assim como as Ruínas que ficam próximas (Ruínas do Saco de Cima) e Estrada Imperial que fica em frente. Todo o local vivia do café e para o café, sendo bastante provável que um dos trapiches hoje em ruínas fosse de propriedade do mesmo dono da fazenda, que assim via simplificado o problema do transporte.No local onde é um jardim gramado há vestígio de um antigo terreirão de secagem de café, o que não torna porém certa a presença de uma grande produção em local tão perto do comércio e em terreno plano, diverso daquelas meias – encostas de clima temperado em que o café se expandia com notável rapidez.- Histórico - Instituto Estadual de Patrimônio Histórico.

Casa do Sahy

Histórico
Acerca dessa casa, localizada na praia do Saí (antiga grafia “Sahy” quer dizem em tupi “olhos miúdos, o que é ágil”, denominação de simio brasileiro, corruptela de “Ça-i”) sabe-se tudo por tradição oral, pois foi mercado ilegal de escravos que chegavam para a ilha de Marambaia onde permaneciam cerca de um ano para engorda e aclimatação. O mandante deste contrabando era o Comendador Breves, proprietário de inúmeras fazendas de café, e que via agravar-se o problema da mão – de – obra escrava, essencial à sua produção. Outros senhores também recorriam ao mercado, e segundo a tradição, o desembarque dos negros se fazia mediante o acendimento de fogueiras em local previamente combinado.Para situar melhor a necessidade de mão – de – obra e o contrabando crescente, recorremos aos tratados entre o Brasil e a Inglaterra, no século XIX.
A pressão inglesa começou em 1810, com o Tratado de Aliança e Amizade, em que ficou estabelecida a limitação do tráfico negreiro às colônias portuguesas na África, seguido por outros acordos, como a imposição da busca em navios suspeitos de tráfico, em alto mar, assim como a estipulação de um prazo para o encerramento do tráfico. A Inglaterra temia a concorrência da mão – de – obra mais barata do que a das suas colônias nas Antilhas e pressionava até mesmo o reconhecimento da Independência do Brasil, em troca de tais acordos. Esta situação prolongou – se por muitos anos, provocando a reação de descontentamento dos proprietários rurais, sobretudo dos que possuíam lavoura cafeeira, que se expandia pelo Vale do Paraíba e que necessitavam de um aumento de escravos e não de retratação. À medida que a pressão inglesa aumentava, crescia igualmente o tráfico ilegal, pois nos tratados, o tráfico já estava completamente vetado. Pela metade do século, a massa de escravos chegava à casa dos 2 milhões. A partir desta época, o preço de um escravo, que custava em média 400 mil réis, passa a ser de quase 1.000 réis em 1855 e cresce lentamente até 1.100, 1.200 no final de 1800, antes da Abolição.

As leis do Ventre Livre, a dos sexagenários, foram apenas o desdobramento de uma crise que há muito se arrastava.O Comendador Breves, possuía, pelas estimativas da época, cerca de seis mil escravos em suas fazendas. Para ele, como para os outros proprietários, a Abolição seria um desastre e não se preparavam para ela, preferindo recorrer ao contrabando. Voltamos então à finalidade do casarão do Saí, que possui na sua parte traseira remanescentes de senzalas. Sua localização, inserido numa fazenda limitada pela praia e pelo sertão, favorecia o comércio ilegal do qual fala o povo até os dias de hoje, vindo o conhecimento pela tradição oral.

DISTRITO:
CONCEIÇÃO DE JACAREÍ

Histórico
Etimologia: Jacarei originário de Jacarei ( Já + caré – y)Tupi Guarani – Rio de JacaréO viajante austríaco João Emanuel Pohl, que visitou Mangaratiba entre os anos 1817 a 1821 nas narrações de suas viagens no livro “ Viagem no Interior do Brasil” conta que iniciou sua caminhada por jacareí ao chegar a Mangaratiba chegando no engenho da Praia, onde lhe foi dada pousada na casa de Manuel de Souza Matos que segundo o cientista o recebeu com muita hospitalidade.O viajante ficou alojado num alpendre e dormiu num bote – construído. O cronista fala do engenho de açúcar e da bela residência da Praia da figueira que ficava entre duas florestas virgens, numa das quais havia uma linda cachoeira. A mesma paisagem que muitos anos depois mereceria uma página e um poema antológico do grande poeta Manuel Bandeira.

O Curato de Nossa Senhora a Conceição de Jacareí
O Decreto nº 897, de 16 de outubro de 1856 criou, no Município de Mangaratiba, um curato civil e eclesiástico, sob a invocação de N.S. da Conceição de Jacareí, com os limites que o presidente da Província designasse, depois de ouvir a autoridade eclesiástica do bispado.Era presidente da Província o Sr. Luiz Antônio Barbosa.

A Freguesia
Em 21 de janeiro de 1859, o curato de N.S. da Conceição de Jacareí foi elevado pelo Decreto nº 1099 à categoria de Freguesia, com o mesmo nome.Os limites da Freguesia principiavam pelo lado Sul na ponta da Gambela, corria pelo espigão do morro do mesmo nome, e pelo lado Norte, pelo Rio Praia Grande.

Limites do Distrito de Conceição de Jacareí, em 1856
“O Vice Presidente da Província do Rio de Janeiro em execução a Lei Provincial nº 897 de 16 de outubro de 1856 tendo ouvido do Excelentíssimo Bispo Diocesano e a Câmara Municipal de Mangaratiba, delibera o seguinte:Os limites do Curato de N.S. da Conceição de Jacareí, serão ao norte o rio denominado Praia Grande que divide o curato da freguesia da Vila de Mangaratiba, e pelo Sul os Municípios de Angra dos Reis e Mangaratiba – Palácio da Presidência aos 18 de julho de 1857.João Manuel Ferreira da SilvaConfere Jean Franco Cardoso.

ITACURUÇÁ

Histórico
Foi fundada pelos Jesuítas, que quando chegaram ao local entraram índios Tamoio que eram muito selvagens. Trouxeram, então os índios tupiniquins para tentar pacificá – los. Quando a região foi fundada , os Jesuítas com os índios construíram uma cruz de pedra localizada em frente à Igreja Nossa Senhora de Santana. A Igreja também foi fundada pelos Jesuítas, a aproximadamente 150 anos (1840). Ita = Pedra Curuçá = Cruz

O desenvolvimento de Itacuruçá, dá – se com a chegada do Major José Caetano Alves de Oliveira, que era proprietário em Valença e muda–se para fazenda Santana, em Itacuruçá com toda sua família. A fazenda média cerca de duzentos e oitenta alqueires fluminenses, abrangendo a pequena Via de Itacuruçá – com exceção das áreas pertencentes a Cúria Católica.O Major José Caetano, tentou vários tipos de cultura, dando afinal preferência à plantação de bananas e vindo a ser, em pouco tempo, um dos maiores produtores da região.

Durante a I Guerra, o Major foi procurado por uma firma suíço – alemã, que comprou parte de suas terras, para a construção de um porto para embarque de minério de ferro. Essa firma negociava também com o Governo Federal a construção de um ramal ferroviário de Minas a Itacuruçá, a fim de aliviar o embarque de minério pelo porto do Rio de Janeiro.Com o ramal ferroviário Santa – Cruz Mangaratiba, Itacuruçá passou a ser um local de veraneio dos mais conhecidos e freqüentados por famílias do Rio de Janeiro, que passavam todo o verão.Foram construídas muitas casas, e o fluxo de veranistas aumentou.Em 1916, o Major convocou seu filhos e genros para trabalharem em Itacuruçá e contribuir para seu progresso. Resolveu desmembrar cerca de 100 alqueires da Fazenda Santana.Hoje, várias ruas e vilas de Itacuruçá recebem os nomes dos familiares do Major José Caetano, uma vez que viveram e trabalharam muito para o progresso local e contribuíram com seu desenvolvimento histórico.

MURIQUI
Distrito de Muriqui – Vale

Histórico
O nome Muriqui deve a existência em seu território, no passado, de boa quantidade de macacos monocarvoeiros, também conhecidos por Muriquis, originando por este motivo, o nome do distrito que é o mais jovem do Município de Mangaratiba. Foi através da Resolução nº 5 de 23/05/49, da Câmara Municipal de Mangaratiba, que em 1º de dezembro de 1949, criou – se o distrito de Muriqui, pelo Decreto Legislativo Estadual nº 19, mas acredita – se, embora oficiosamente, que o povoado existe a mais de 80 anos.

“Lenda de Muriqui”
Entre agosto e setembro existe um vento forte que os pioneiros chamaram de Vieira, porque segundo a lenda, quando este morador de Muriqui, pouco antes de morrer, pediu para ser enterrado nas belas montanhas, e quando morreu os amigos levaram o corpo dentro do caixão para enterrá – lo sem ser nas montanhas, quando iam colocá – lo na sepultura começou a ventar muito forte, e, os amigos com medo, deixando o caixão e foram para suas casas. No dia seguinte, ao parar o vento voltaram para acabar o enterro, e lá chegando encontraram o caixão vazio. A partir daquele dia todos acreditaram que o vento havia levado o corpo de “VIEIRA” para as montanhas e como não foi enterrado, volta todos os anos para visitar Muriqui, local que ele muito gostava.

Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Mangaratiba

27/05/2009

Uma breve história deste maravilhoso lugar tão próximos a nós frequentadores da Báia de Sepetiba e ao mesmo tempo tão misterioso.





Marambaia - Um viveiro morto da mão de obra negra para o cafezal

por Assis Chateaubriand - 1927


Impressões vividas de uma visita à Fazenda do Comendador Joaquim José de Souza Breves - Pontal da Marambaia - por Assis Chateaubriand em 1927.

Ao regressar com um grupo de companheiros do vale do Piraí, até onde nos levara uma das excursões que fizemos pelas antigas zonas do café do Estado do Rio de Janeiro, perguntou-me o meu amigo o Dr. Clodomiro de Vasconcelos(sabendo que voltáramos de Mangaratiba), se havíamos visitado a fazenda que o Comendador Joaquim Breves possuiu na Marambaia. Tal visita fôra impossível, mas coisas tão interessantes nos contou o conhecido geógrafo sobre aquelas paragens, que seduzi com o colorido das suas impressões o meu amigo Professor Mathias Peixoto, e fomos os dois numa úmida manhã de agosto, tentar o reconhecimento da Restinga da Marambaia.

Piloto Temeroso

Quando desembarcamos em Itacuruçá, o argonauta que nos deveria levar ao pontal da Marambaia olhou o mar, fixou a direção dos ventos e, apontando com a mão tímida uma cortina de nuvens erguida do outro lado da restinga, sobre o Atlântico, disse sem pestanejar:

- "Estão vendo aquelas nuvens? É sinal de mar grosso aqui dentro da baía. Ir, poderemos. Mas a volta é que não garanto".

E nem a ida queria atrever-se a tentá-la. Foram necessárias três horas de expectativa, para induzir aquele nauta temerário a afoitar-se no dorso do mar, até então mais tranqüilo que ainda nos era dada enfrentar. Alfredo de Vigny, diz que, não pode haver mestre de armas melancólico. Não sei, por outro lado como possa haver piloto temeroso. O oceano é um excitador permanente de coragem; e por isso mesmo dir-se-ia impossível que exista um prescrutador de estradas marítimas saturado de medo. Pois o dono e maquinista da lancha a óleo, que nos deveria levar de Itacuruçá a Marambaia, além de se iludir sobre o mar, revelava-se uma natureza de tal modo sensível que não foi sem largo debate que conseguimos induzi-lo a partir, viajando conosco, numa linda baía polvilhada de ilhas encantadoras, das mais interessantes que meus olhos ainda viram..

A restinga da Marambaia



Segundo Teodoro Sampaio, o mestre ilustre, Marambaia é corrupte-la de "mbará-mbai, cerco de mar, restinga, recife, língua arenosa cercando o mar; ou corruptela de "mara-mbai" - cerca, paliçada de guerra.

A restinga da Marambaia deverá medir, pelo que me disseram pescadores da região, de 6 a 7 léguas. É interessante olhar o mar alto, furioso do outro lado, e cá dentro, na Baía de Sepetiba as águas tranqüilas do golfo, levemente esfloradas pelo vento. ã distância, a massa dos vagalh·es atlânticos parece ir tragar a faixa esguia da língua de terra da Marambaia.

A ilha da Marambaia é constituída de uma parte mais elevada à oeste. A essa parte chamam de pontal. Suas terras argilosas, prolongam-se em extensa restinga arenosa, para leste, numa extensão de 40 quilômetros. O ponto culminante do pontal é o pico da Marambaia, elevando-se do nível do mar numa altura de 480 metros. Divisei-o pela primeira vez, quando vinha para Mangaratiba, descendo a estrada de rodagem que liga São João Marcos a esta vila. Fronteira lhe fica a Ilha Grande, formando com ela uma das barras da Baía de Sepetiba. O canal que separa o pontal da Marambaia da Ilha Grande é de 12 quilômetros de largura. Os pescadores dizem que ela é visível a 40 milhas de distância do mar. O Dr. Clodomiro de Vasconcelos, que é conhecedor minucioso daquelas paragens, disse-me que o canal é de tão considerável profundidade que permite acesso à baía de qualquer calado.

Conversando com o Dr. Clodomiro sobre a Marambaia, ele me informou:

A Ilha da Marambaia, pela constituição do seu solo, presta-se para várias culturas e para pastagens de rebanhos bovinos, caprinos, etc. As terras férteis, produzem bem o café, cereais, fumo, mandioca, cana de açúcar, batatas, inhame, cocos, etc.. O guriri, é um coqueiro selvagem ali muito abundante, e das suas palmas se servem os negros residentes na ilha, para fazerem cobertas e tapumes dos ranchos em que moram.

A prosperidade da Marambaia, data da sua aquisição pelo Comendador Joaquim José de Souza Breves. Não quero aqui fazer a biografia dos maior dos Breves. Agrippino Griecco traçou-a já para esta mesma edição comemorativa. Os domínios deste grande senhor territorial abrangiam a restinga, atravessavam o mar, desdobrando-se da raiz da serra, Mangaratiba e o Saco de Mangaratiba, até o vasto cafezal que se alastrava do começo do altiplano em São João do Príncipe, para ir morrer a onda verde do café, na propriedade do opulento cafezista do Vale do Paraíba, na Fazenda da Marambaia. Quem vinha do Rio de Janeiro para Mangaratiba por via marítima, encontrava na Fazenda da Marambaia, à orla do oceano, o primeiro marco do poder agrário dos Breves.

Na Marambaia plantava-se café nas encostas da montanha, cereais, milho, feijão, mandioca, cana de açúcar e criava-se gado.

A casa da fazenda que visitamos e que é hoje propriedade do Ministério da Marinha, está muito danificada. É um solar de 58 metros de frente, com um largo alpendre corrido em toda a extensão da casa. O Dr. Clodomiro de Vasconcelos me disse que ela era ainda maior no tempo dos Breves. Ruíram algumas das dependências, como decorações dos tetos de várias peças já abatidas pelo tempo. Vi numa sala do vasto solar, pedaços dourados e frisos de tetos desabados em triste abandono. Tudo ali, dizem-me, era sóbrio, sem maior gosto artístico, mas grandioso e confortável. As janelas do solar se abriam nas épocas de trabalho intenso de colheitas e plantios, ou nos dias e noites de festas, quando se também se cerravam as portas da capela para as missas solenes do mês de Maria ou de Nossa Senhora do Rosário. Abandonadas por mais de trinta anos, sem nenhum trato, as construções da fazenda sofreram as injúrias inevitáveis do tempo. O molhe de pedras onde atracavam os navios "Marambaia e Emiliana", já não existe mais. O grande trapiche à beira-mar jaz de ruínas. As senzalas desapareceram, e as árvores frutíferas morreram. Do que o Comendador Breves ali plantou resta apenas o coqueiral da praia - uma encantadora massa vegetal, cuja paisagem à distância evoca imediatamente a lembrança das praias do Norte.

O nosso desembarque na Ilha se fez em condições absolutamente primitivas. A lancha parou a 50 metros do litoral, e o Dr. Mathias Peixoto e eu descemos para a terra firme, seguros ao pescoço de dois amigos prestimosos, que nos acompanhavam desde Itacuruçá em trajes de banhistas. O molhe de atracação foi quase destroçado pelo mar e, sem embargo dali haver estado uma escola de grumetes, não encontramos ponto nenhum onde pudesse acostar sequer uma lancha.

Disse-me o Dr. Afonso de Taunay, que depois da morte do Comendador Breves, um seu parente próximo - Monsenhor Breves, professor do Colégio Pedro II, grande amador de caçadas, ali residiu. Deveria ter sido sua residência por pouco tempo, porque já no "ensilhamento do século", era a fazenda vendida a uma companhia agrícola, que ali fez várias plantações e criou bastante gado.

Grande era o número de escravos que cultivavam as terras da Marambaia. Estes escravos não eram apenas os negros da fazenda, mas também um certo elemento nômade, que o grão-senhor possuía nas suas outras fazendas da região serrana, e que ele fazia periodicamente descer, acrescentou-me o Dr. Clodomiro de Vasconcelos, quando urgia intensificar o trabalho da Marambaia. Proprietário de mais de 6 mil escravos, o Comendador Breves possuía uma massa de manobra, que deslocava para os diversos pontos dos seus latifúndios, onde o serviço reclamava momentaneamente maior quantidade de braços.

Natureza andeja, tendo perto de 60 fazendas que fiscalizar, o Comendador Joaquim Breves conciliava a necessidade do controle dessas propriedades agrícolas com um nomadismo providencial de temperamento. Dir-se-ia que nascera com o dom da ubiqüidade.. Deixando-se ficar mais dias na Fazenda da Grama, em São João do Príncipe, contudo dividia o tempo por todas as outras fazendas, inclusive a Marambaia, que possuía na sua organização agrária, uma função de marcado relevo. Grande importador de escravos, para atender às necessidades cada vez mais insistentes do cafezal - a grita por colonos italianos, que hoje levantam os fazendeiros de café paulistas, era há meio século a mesma dos fluminenses, pela mão-de-obra africana - o Comendador Breves vivia em contato com aqueles que faziam o tráfico de escravos com o continente negro. A Marambaia era neste sentido um ponto estratégico. Ele lhe abria completamente o domínio do mar, para as comunicações seguras com os navios negreiros, que lhe traziam do outro lado do Atlântico, o combustível humano com que alimentava o fogo do trabalho do cafezal. Aquela fazenda era o pulmão da sua grandeza latifundiária, em baixo e no alto da serra. O crescimento do cafezal impunha ao senhor o aumento do braço escravo. A repressão do tráfego encetada nos mares pela Inglaterra, criava toda sorte de obstáculos à importação do braço negro; de sorte que a posse de um local seguro daquele desembarque, importava para Breves no mesmo que possuir uma ligação permanente com os piratas que deveriam assegurar-lhe o abastecimento da mão de obra no cafezal.

Senhor de tão considerável colônia de negros, as contingências do seu próprio poder lhe impunham uma certa brandura no tratamento dos pretos. O Dr. Clodomiro de Vasconcelos assim me explica sua política escravocrata.

- "Breves era um homem de poucas luzes, mas de uma grande vivacidade. Satisfazendo-se nas escravas que possuía em grande número, e querendo manter real simpatia da parte dos negros, sempre irritados pela energia excessiva dos feitores, Breves mostrava-se por vezes bondoso, cheio de uma bondade que resumia em melhoria de bóia, em maiores rações de cachaça, e na permissão para os bailes, com adufe e cavaquinho no terreiro da fazenda: dançava-se o cateretê, o batuque e o jongo, sendo muito apreciada a última dança. A dança seduz ainda hoje os pretos que vivem ou vegetam na Marambaia: são loucos pelas cirandas, bailes ou sambas.

Para uso dos banhos de mar desciam das fazendas da região serrana, a família, os parentes e amigos do Comendador Breves, onde então realizavam festas e mais festas na Fazenda da Marambaia. Bailes, grandes saraus, fazendo-se o embarque dos convidados na praia do Saí, de onde partiam grandes canoas de voga e lanchas de muitos remos, rumo à Marambaia. Farto, Breves dava festas que atraíam gente de muitos lugares em roda - gente de Angra dos Reis, de Mangaratiba, de Itaguaí e da Ilha Grande.

O depoimento dos escravos

Os Breves eram mal afamados. A várias pessoas me tenho dirigido, em busca de dados acerca dos métodos de vida desse clã de cafezistas, e na sua maioria, quase todos me transmitem referências pouco abonadoras, que, entretanto, ficam mais ou menos vagas, sem concretizar-se num fato. Se o homem que vence já é pouco estimado, imagine-se agora uma família vitoriosa em bloco.Os Breves dominaram desde o mar até a montanha. De MAngaratiba ao alto da Serra, seu poder se estendia incontrastável. A fortuna não se empolga sem agressividade; e uma vez ganha, para possuí-la, é preciso saber encarar pelo resto da vida a fora perspectiva de combate. Acredito que as gerações de "ratés", que assistiram imponentes a ascensão dessa gente enérgica, deveriam ter espalhado por conta dela, toda a sorte de calúnias. No vasto deserto destas almas medíocres teriam nascido as lendas que ainda hoje se registram com uma constância inexorável, da suposta crueldade dos Breves. Quis a fortuna que eu me encontrasse na Restinga de Marambaia com os antigos escravos do Comendador Joaquim Breves. Falei a vários deles, e de dois pretos recolhi até os nomes: Adriano Júnior e Gustavo Vítor, este filho por sua vez de um antigo escravo de Breves, chamado Vítor, comprado pelo senhor quando adquirira a Fazenda do pontal da restinga da Marambaia. Adriano Júnior residiu na célebre Fazenda de São Joaquim da Grama, donde o senhor o trouxe para vir trabalhar nesta outra fazenda da restinga. Têm para mais de 80 anos. É pai de 12 filhos, todos morando na Marambaia.
Gustavo Vítor parece mais................. arrastado, como quem procura compor fragmentos de histórias, que ninguém nunca lhe veio lembrar. Perguntei-lhe que tal era o seu antigo senhor, e ele me retrucou:

- "Era um véio bão. Quando via nego assentado, despois do serviço, apreguntava se nego tava triste. E mandava reunir a senzala para dançar o caterete e o batuque, fazendo tocar o bumba da barriga".

Parece que a mesa era farta, nas senzalas dos Breves. Adriano Júnior disse-me que o senhor era o pai da pobreza. Quando vinha de Mangaratiba para Marambaia, a bordo ou do vapor "Marambaia", ou do "Emiliana", a senzala se alegrava. Pelas narrativas que ouvi desses dois antigos escravos, acredito haver confirmação para o quanto já ouvira dizer a propósito do destino da fazenda que ali mantinha Breves. Grande proprietário territorial precisando incessantemente de braços, afim de prosseguir na sua atividade dentro dos cafezais que possuía no antiplano e nos engenhos de cana que tinha na planície, Breves como qualquer fazendeiro hoje de São Paulo, carecia de colonos. Naquela época o único colono possível de importar em larga escala era o negro contrabandeado da °frica - os pobres pretos roubados do outro lado do Atlântico, e transportados pelo piratas para serem vendidos nas terras do Novo Mundo.

Gustavo Vítor me disse:

- "Gente vinha da baía dãngola premero pra aqui. Engordava, e despois ia pra roça, trabaía no cafezá".

Na Marambaia havia também cafezal, mandioca, milho e os negros velhos com quem falei todos me disseram que nas fraldas dos morros existiam plantações de café, que depois desapareceram. Todavia, ao que se me afigura, o emprego mais importante daquela fazenda, era o de servir de ponto de desembarque de pretos contrabandeados da °frica. Os escravos, que saíam dos por·es dos navios negreiros, permaneciam algum tempo naquele viveiro. Reconstituiam as forças perdidas na travessia transatlântica. Cevavam-nos, e uma vez assim retemperados, eram distribuídos pelas fazendas do alto da serra. Logo, o que Breves possuía na Marambaia, era uma estação de engorda do seu pessoal de eito, e isto, explica as ótimas recordações que aqueles velhos escravos guardam do senhor já desaparecido há tantos anos. Deveria comer- se bem na Marambaia, porque o objetivo mais importante daquela fazenda não era produzir café, mas fornecer mão-de-obra forte, robusta, para o trabalho do cafezal.

O cadinho da Marambaia

As condições de existência hoje na Marambaia são as mais miseráveis possíveis. Os pretos dos Breves permaneceram na fazenda, aumentando a população local, com o seu reconhecido poder de proliferação. Mal grado as condições de evidente sub- nutrição de uma gente que se pode dizer vegeta, pescando para comer, porque destituída de qualquer estímulo para trabalhar e poupar, o pontal da ilha tem ainda uma população não inferior a 500 habitantes. Aqueles 500 homens que ali habitam, muitos senão quase todos, ignoram até a forma de governo que tem o Brasil. Poucos os que sabem ler. Todos os que interroguei não sabiam da existência de Washington Luiz ou Feliciano Sodré. Levam uma existência mais ou menos promíscua, e não sabem para que fazem filhos. O pontal da restinga é de propriedade do Governo Federal, o qual é o dono da antiga fazenda dos Breves. Estabeleceu ali a Escola de Grumetes que depois foi transferida para Angra dos Reis.

A casa está confiada a um zelador do Ministério da Marinha e as terras são exploradas rudimentarmente por aqueles pobres homens, aos quais se acolcheta a divisa dos antigos gaúchos do pampa argentino, "nodie es mas que naide". Vivem sem ambições e sem subordinações. Nada desejam nem nada esperam da vida. Não sentem a tutela nem a miséria dos governos, de quem os separa o mar. Tampouco lhes afeta a justiça ou injustiça dos homens. O conceito da propriedade imóvel não tem nenhuma noção para o seu consciente, porque o governo não aparece ali diante deles, para interrompe-la num ato qualquer, que materialize a sua posse. O zelador do Ministério da Marinha é um posseiro como eles, e o qual como eles vive sem trabalhar. As águas do golfo bastam para matar todos os apetites de fome. É só lançar o anzol e sentir o peixe morde-lo. As roças em torno das choças são plantações mesquinhas, dizendo do fatalismo do homem que as cultiva. Dir-se-á que o gentio indolente daquelas paragens transmudou-se no caboclo, que ali defrontávamos.. Capitaneados por um senhor enérgico, viril, combatiam a outrora natureza, e dominavam-na. A morte do senhor, o fim da escravatura restituiram aos homens o domínio de si mesmos. Isto foi a ruína deles. Conformam-se pela mesma tendência dos sangues inferiores que traziam nas veias, à adversidade. O meio subjugou-os e, sem capitão, falhos de personalidade, deixaram-se vencer pouco a pouco, até se afundarem na miséria em que os deparamos.

Porque, na verdade, a região do Piraí, São João do Príncipe, Passa Três, Rio Claro - no antiplano; Mangaratiba, Itacuruçá - no litoral; são extremos de outra colonização afora o africano e português. Em Cantagalo, Friburgo, por exemplo, surgiram os colonos alemães. As elites dominantes confundiam o seu sangue ao dos imigrantes do norte da Europa e surgiu um precipitado operoso, com iniciativa, que muito tem contribuído para o progresso fluminense. Aqui, não. Caldearam-se aborígenes, africanos e portugueses. Mangaratiba foi até mesmo aldeamento de índios. Brancos, pretos, mamelucos, cafusos, aqui havia e ainda haverá talvez tudo o que, isoladas as mescladas podem dar as raças que primeiro entraram na nossa formação étnica.
Retirado do site http://www.brevescafé.oi.com.br/ (história do café no Brasil Imperial)
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A história da Ilha de Marambaia é antiga. Já no século XVI, ela aparece nos relatos do padre Anchieta. Na época, serviu como porta de entrada para tropas portuguesas que tinham como missão combater a invasão francesa na nova colônia. Foi assim até 1856, quando a ilha se tornou oficialmente propriedade do comendador Joaquim José Breves, um dos maiores fazendeiros de café e mercador de escravos da época. “A ilha da Marambaia era usada como entreposto de engorda de escravos. Eles vinham em condições muito penosas nos navios e ficavam ali um tempo”, explica o procurador da república Daniel Sarmento.

A atividade durou 32 anos, até o fim da escravidão. O comendador morreu um ano depois, deixando as terras para a esposa que mais tarde vendeu a ilha para uma empresa. Na época, alguns ex-escravos continuaram em Marambaia, vivendo da pesca. Em 1905 a União comprou a propriedade e, no ano seguinte, a Marinha passou a ser responsável pela ilha.

Já no governo de Getúlio Vargas, uma nova mudança no cenário. A Marambaia passou a abrigar uma escola modelo para pescadores. Depois da instalação da escola em 1938, o número de moradores aumentou. A maior parte se concentra na Praia da Pescaria Velha. Segundo o censo realizado pela Marinha, são 54 casas e 268 moradores, o que significa 71% da população da ilha.
Depois de três décadas, sendo uma espécie de base para pescadores, em 1971 o terreno foi novamente incorporado à Marinha que, dez anos mais tarde, instalou no local o Centro de Adestramento para Fuzileiros Navais. “Adestramentos muito importantes que hoje só podem ser realizados aqui, devido à expansão da área urbana no Rio de Janeiro, inviabilizando outros locais”, justifica o comandante César Lopes Loureiro.

Com a nova destinação, o acesso à ilha passou a ser ainda mais controlado. Hoje, o único meio de transporte é oferecido pela Marinha. Por questões de segurança, moradores e convidados, são cadastrados. Pelos dados da Marinha, são 340 militares e familiares, e outros 379 moradores. A convivência, segundo eles, é pacífica, mas não é o que tem acontecido na prática. Os vizinhos estão em lados opostos numa ação que chegou à Justiça Federal.

O impasse jurídico começou depois que um estudo do historiador José Mauricio Arruti apontou a comunidade da Marambaia como remanescente de quilombos. De acordo com a Constituição Federal, os quilombolas, que são os descendentes de escravos, têm direito à propriedade da terra que ocupam. O Incra fez um levantamento que estimou a existência de 1.046 quilombolas na região. Pela proposta inicial, feita a partir do estudo que serviu de base para a ação civil pública, eles teriam direito a quase dois terços da ilha. “O que se deseja titular para essa comunidade extrapola, e muito, aquilo que realmente ela utiliza. O que eles realmente utilizam não há problema nenhum, a Marinha tem inclusive empenho em que essas áreas sejam regularizadas”, argumenta o comandante do Corpo de Fuzileiros Navais Alexandre Barreto de Mattos.

Um outro detalhe deixa ainda mais confusa a situação. Há dez anos, boa parte do território é considerada área de proteção ambiental permanente. Isso significa que nem a Marinha e nem os moradores podem fazer qualquer construção na área identificada e monitorada pelo Ibama. Além disso, a localização geográfica da ilha tem muita importância para o país. É por causa da grande profundidade do entorno que a Marambaia é considerada estratégica. “A ilha da Marambaia é a porta de entrada da baía de Sepetiba e da baía de Ilha Grande onde estão instalados portos que são fundamentais para a economia do país, a companhia siderúrgica do Atlântico, Superporto, a própria usina nuclear de Angra dos Reis”, explica Alexandre Mattos.

Para a Justiça Federal, o primeiro passo é saber se a comunidade é ou não remanescente de escravos. Pela decisão, o Incra terá um ano para investigar e determinar a origem da propriedade. “A sentença não garantiu a eles o direito de propriedade, o que a sentença garantiu foi a posse, porque há indícios fortíssimos nos autos de que eles ,de fato, são uma comunidade remanescente de quilombos”, lembra o juiz federal, Raffaele Pirro.

Esta matéria foi exibida no Via Legal 260 em 29/08/2007.
fONTE: http://daleth.cjf.gov.br/vialegal/materia.asp?CodMateria=815

17/04/2009


A DEGRADAÇÃO DA BAÍA DE SEPETIBA


A Baía de Sepetiba seria ainda uma das áreas costeiras mais aprazíveis do estado do Rio de janeiro, como ainda o é a Baía de Ilha Grande, se não fosse o alto grau de poluição orgânica e inorgânica que está potencialmente submetido o seu corpo d’água.
A qualidade das águas da Baía de Sepetiba segue lentamente um caminho semelhante ao percorrido pela Baía de Guanabara, embora com características de degradação distintas, mas que levam a um quadro preocupante e desanimador.
A expanção industrial na direção oeste da Região Metropolitana, o aumento do número de oportunidades de emprego e o baixo preço da terra loteada acarretam um significativo crescimento populacional na região hidrográfica nos últimos vinte anos.
A política de polarizar o crescimento industrial para áreas menos congestionadas levou o Governo o Estado a criar na região os Distritos industriais de Santa Cruz, Campo Grande, Nova Iguaçu e Itaguaí.
Mais uma vez, o crescimento da ocupação do solo de forma desordenada com o conseqüente aumento da concentração populacional em torno das sedes municipais, não foi acompanhado dos devidos investimentos no setor de saneamento básico.
Atualmente, estima-se uma população da ordem de um milhão, duzentos e noventa mil habitantes, cujos esgotos domiciliares produzidos degradam diretamente a qualidade sanitária do das águas que fluem no lençol freático (águas subterrâneas mais próximas ao nível do solo) através de sistemas individuais de fossas sépticas e sumidouros ou, quando lançados sem tratamento em valões, córregos ou rios acabam afetando a qualidade das águas, não somente destes, mas, da própria Baía de Sepetiba, que é o receptor final.
Com relação à poluição industrial das águas e sedimentos da Baía de Sepetiba, é lastimável o quadro atual em decorrência do lançamento de efluentes líquidos e resíduos tóxicos sem o devido tratamento.
Uma área de rara beleza paisagística e rica de ecossistemas naturais como é a Baía de Sepetiba e seu cordão de manguezais, jamais poderia ter recebido durante anos, junto às suas margens, rejeitos altamente tóxicos e cumulativos na cadeia alimentar, constituídos de altas concentrações de metais pesados, principalmente o zinco e o cádmio.
O cádmio, mesmo em concentrações baixas, além de ser altamente tóxico para determinadas espécies aquáticas, tem efeitos sobre o organismo humano, podendo se acumular lentamente em vários tecidos do corpo como os ossos, fígado, rins, pâncreas e tireóide.
O zinco, também cumulativo, causa sérios problemas na fisiologia, principalmente dos peixes, tornando-os impróprios para o consumo. O homem ao se alimentar sistematicamente desses peixes contaminados, pode adquirir problemas de pele e mucosas.
Apesar da degradação lenta da qualidade das águas e dos sedimentos da Baía de Sepetiba durante os últimos 30 anos, seu corpo d’água ainda se constitui em um criadouro natural de várias espécies de relevante interesse comercial, a citar, o camarão e peixes como a tainha, parati, pescada, pescadinha, corvina, etc..